Uma menina chamada Akullu, parte da tribo Acholi, do norte de Uganda no ano de 1918.
A Terra vivia o início das navegações interoceânicas desses tempos modernos – nações gananciosas controlando terras alheias através da violência, atravessando oceanos para escravizar e dizimar povos e culturas.
A Inglaterra invadiu Uganda e logo proibiu as práticas sagradas diferentes de sua ideologia cristã. Todos os rituais tradicionais dos povos – que representavam a sua identidade – foram duramente perseguidos como práticas “pagãs”.
E é em um desses rituais que Akullu tem marcado para o dia de hoje.
Akullu acorda com a primeira penumbra do dia e o mugir das vacas que se despertam. Já escuta algum movimento em sua cabana de barro mas rapidamente pega no sono novamente.
Navegando em sonhos, de repente sente seu corpo tremer e emergir como que em forma de um fantasma, se vendo projetada acima de sua cabana e voando por toda a tribo.
Consegue enxergar em todas as direções e percebe em sua comunidade o movimento de preparação para uma cerimônia: O Sol já raiou e os anciões estão reunidos recepcionando membros que haviam sido usados pelo exército britânico a cometer atrocidades de guerra contra sua própria tribo.
Uma voz celestial lhe diz: “A Terra que conheces é apenas um de muitos ciclos”
Familiares dos que haviam sofrido a violência por parte de seu próprio povo também estão reunidos atrás dos anciões – formando uma meia lua em volta de uma grande fogueira.
Akullu se vê conectada com seu corpo por um cordão celestial, e vê sua mãe aproximando-se para despertá-la.
A voz continua: “A paz é mais importante do que a justiça. Boa viagem!”
Como uma tromba d’água se vê retornando ao seu corpo e despertando antes que sua mãe lhe tocasse.
Prontamente se levanta para receber uma pasta de ervas com manteiga de karité no topo de sua cabeça como bênção de intenção para um dia importante para sua tribo.
Na cultura Acholi, os anciões são socialmente tão importantes quanto seus pais biológicos, já que todos são considerados primeiramente filhos da tribo.
Reverenciando seus pais na porta da cabana caminha rumo às anciães e anciões, se posicionando atrás da meia lua já formada em volta da fogueira.
Neste dia acontecia o Mato Oput, que é um ritual tradicional de justiça restaurativa ancestral e conciliação social da cultura Acholi, onde a ideia central é: em vez de buscar vingança, a comunidade se reúne para transformar a dor em aprendizado e restaurar os laços quebrados
O grupo de fora da meia-lua é chamado pelos anciões para compor um círculo.
No devido tempo, os recém-chegados abrem o seu coração para manifestar o reconhecimento da dor causada e da responsabilidade pela situação
Os anciões, nesse momento, intermediam um diálogo conduzindo ambos os lados a um entendimento de união - apesar das cicatrizes e amargores da experiência vivida. “Sou porque somos todos nós”, entendiam eles.
O grupo que assume a responsabilidade pela dor causada se junta para oferecer um presente de compensação – conduzindo vacas e bois e carregando uma cesta de palha gigante com alimentos e decorações para perto do círculo.
No momento em que uma liderança do grupo sendo reintegrado vai receber a bênção com pasta de karité (banha de Orí), um batalhão do exército inglês liderado por um cruel coronel chega causando um grande clima de tensão.
Essas práticas pagãs são proibidas pelo rei! Todos de volta para suas casas que viemos recolher os tributos da coroa!
Lentamente, o coronel vai se aproximando do altar montado em frente à fogueira com a intenção de desfazê-lo para repudiar o ritual que ali acontecia.
Akullu se comove com a interrupção daquele sagrado momento e corre para frente da fogueira, confrontando o coronel que se aproximava.
Quem lhe deu o direito de intervir aqui, inglês? Daí você não passa mais! Volte para o seu rei!
Diz Akullu, avançando em direção ao coronel.
Com um simples movimento das mãos, o coronel ordena seus soldados a prender Akullu, e neste momento decide fazer dela um exemplo de disciplina imperialista.
Depois de reprimir duramente o ritual Acholi, as tropas inglesas levam Akullu em direção à capital da colônia em Kampala.
De repente, no ritmo do canto do índio, Akullu vê tudo em volta do círculo de pedras começar a girar cada vez mais rápido – criando uma espiral de luz que se estendia aos céus.
Akullu olha para suas mãos e percebe o seu corpo se dissolvendo em luz que se misturava com a espiral das pedras em direção ao alto.
Sente que pode estar em qualquer lugar, em qualquer tempo e se vê de repente navegando no espaço – vendo a Terra desde a Lua.
Sente uma presença que se apresenta como uma luz em espiral e lhe sussurra mensagens telepáticas:
Esta é a sua casa. De tempos em tempos, ela atravessa um ciclo de evolução que atravessa quatro etapas:
Experiência: as civilizações vivem situações,
Expressão: através da arte, falam sobre aquilo que viveram,
Integração: contemplam sua arte para assimilar a polaridade inerente de sua existência,
e Transcendência: através da contemplação de seu próprio movimento essencial, tornam-se um novo Ser.
SerVir a esse ciclo de evolução é Vir a Ser – a eterna dança entre corpo, comunidade e paisagem.
Quando um planeta, através da alquimia dos elementos e de sua própria evolução natural, dá origem a uma espécie que consegue testemunhar a si – que diga “Eu Sou” – um sinal intergaláctico é emitido por toda a rede universal.
Na história planetária da Terra, muitas espécies de outras constelações vieram para cá estimuladas por esse sinal para plantar suas próprias sementes estelares aqui.
Tantas civilizações neste planeta interagem para a criação de um grande experimento cósmico: O aperfeiçoamento de uma espécie que possa integrar o corpo da terra como seu – e que naturalmente siga regenerando a si, à sua comunidade e à sua paisagem.
A cada 12 mil anos, a Terra passa por cataclismos que servem como força propulsora para que possamos nos aproximar daquilo que viemos das estrelas para ser.
Na sua linha do tempo – com sua tribo – estás em rápida aproximação com um desses períodos. O que para alguns é o “fim dos tempos”, na verdade é simplesmente o nascimento de novos tempos.
Te levarei para o ano de 2026, avançando para um momento chave desta transcendência:
O abuso colonial da natureza degrada com ignorância a superfície do planeta. –
A polarização domina as relações humanas em discordância violenta.
A natureza sente essa violência em forma de destruição e poluição.
Mas a consciência universal está presente inclusive nesse caos. Ela enxerga nele um caminho para a evolução.
Há uma terra que tem uma importância significativa na transição destes novos tempos…
A mistura de raças de todo o mundo faz desse país um portal de ativação para a transcendência do planeta.
Profecias dizem que lá, em um tempo de grande desequilíbrio, surgirá uma nova consciência planetária — de todas as cores, culturas e nações — que restaurará a harmonia entre humanidade e natureza.
É para lá que você vai – para desvendar os caminhos da sua transcendência pessoal e planetária.
Akullu começa a ver as estrelas girarem ao seu redor formando um grande anel luminoso que se expande formando um tubo e se vê, como uma luz espacial, sendo atirada de volta em direção à Terra como uma flecha no alvo.
